Uma carta ao meu eu de 18 anos

Fazer dezoito anos é um momento mágico na vida de qualquer um. Não adianta negar, você espera por esse dia desde o dia em que entende as consequências positivas que essa idade pode te trazer. É um momento de transição onde você se imagina na faculdade, indo à festas com seus amigos, dirigindo o carro dos seus pais ou, quem sabe, com o seu próprio carro graças ao trabalho que você provavelmente terá. Você idealiza namoros com pessoas que nem existem e sequer irá conhecer algum dia, mas isso não importa. Não minta, você fez isso.

Essa pode não ser a realidade de todos, mas a maioria com certeza pensou nisso.

Mas daí a idade chega e tudo o que você tem é um balde cheio de questionamentos e inseguranças. Você tenta tomar as melhores decisões, mas parece que quando você assina o contrato da maioridade, na troca você entrega o cérebro. É tanta burrada que eu não consigo sequer quantificar. Inúmeras vezes me pego pensando nas coisas que deveria ter feito, nas coisas que deixei de fazer por preguiça e nas coisas que, definitivamente, eu não deveria ter feito. Mas a vida é assim, não se pode ganhar sempre.

Cheguei aos 18 há 7 anos, foi uma longa jornada de dificuldades e aprendizados até aqui. Mas o que mais me incomoda, e dói, é olhar para trás e ver os amigos que o tempo levou. Os amigos que comigo chegaram até a parte chata da vida em que você precisa decidir o que vai fazer. Onde a responsabilidade pesa mais do que a diversão outrora pretendida. E assim cada um toma um rumo diferente. A frequência dos encontros começa a diminuir até que, um por um, deixa de estar lá. Junto.

Não nego que ter dezoito anos tem seus lucros mas, às vezes, você vai se encontrar pesando as coisas em uma balança nada proporcional, onde o tempo sempre é a menor medida.

E é isso que eu estou tentando contar para o meu eu de dezoito anos, apavorado, sem saber o que quer ser da vida e o que vai estudar. Que demorou para tomar uma decisão e sofre com as consequências disso até hoje. Aquele eu que era completamente dependente da própria mãe e mal sabia fritar um ovo.

O tempo não perdoa. Se existisse camadas de tempo e dimensões onde o meu eu de dezoito anos ainda vive, eu só queria lhe dizer isso:

Não deixe a rotina te matar. Não deixe de fazer as coisas que quer por não “ter tempo”. Use o relógio ao seu favor. Esprema até o último segundo, almoce mais rápido para ter tempo de ir visitar a sua avó, mesmo que seja por 20 minutos. Durma mais tarde se tiver que ficar estudando. Acorde mais cedo se tiver compromisso. Passe na casa do seu avô a caminho da faculdade. Jamais tenha preguiça, eu sei que é difícil, mas ela devora a sua vida lentamente. Finalize seus projetos. Não deixe de ver os seus amigos. Trabalho nenhum da faculdade vale a sua ausência. Trabalho remunerado nenhum vale a sua felicidade. Vá. Sem medo.

Porque eu, meu amigo, sei o que vem depois e esse arrependimento é pra sempre.

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Um comentário em “Uma carta ao meu eu de 18 anos

  1. Excelente texto cara. Faço das suas palavras as minhas. É tanta burrada e tanta coisa que eu olho pra trás que… pqp! E a Rotina…. aaaaa a rotina… essa mata. To passando por um período desse agora.

    Mas vamo que vamo 🙂
    O principal é nunca pensar em desistir e insistir na mudança, por mais dificil que seja.

    Curtido por 1 pessoa

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