Odiar não é o caminho

“When I was a kid I was full of hate”

Uma das pautas mais fáceis de desenvolver é quando você pode falar de algo que tem experiência. Contar sua história é uma maneira inteligente de aprimorar a escrita e, talvez, auxiliar alguém que possa estar perdido em uma decisão.

É sério. Ou por quê você acha que os mais velhos sempre dizem que você deve respeitá-los? Está na cara. É a experiência.

Por mais quadrada e antiga que uma pessoa seja, ela tem uma história. Assim como eu, você e todas as outras pessoas no mundo. Se você olhar para trás, vai perceber que já percorremos um longo caminho até aqui. Agora imagine alguém com o dobro da sua idade?Imagine sua avó, seu avô, seu pai, sua mãe…

A vida, por mais sinuosa que seja, acaba nos levando para caminhos parecidos. Problemas de cinquenta anos atrás ainda são os mesmos. Por isso, quando alguém lhe disser que já passou por isso e você deve agir de tal forma para superar, acredite. Mesmo que você não entenda na hora, com o tempo tudo fará sentido.

Quando eu era pequeno, com seis ou sete anos de idade, eu era cheio de ódio. Tudo me irritava muito. Se algo não se tratava de mim, não me interessava. E eu fui assim por muito tempo, porém a convivência foi me ensinando a viver pacificamente com as pessoas ao redor.

Até os dezessete anos eu ainda tinha aquele ódio mortal de algumas coisas, pessoas, lugares e situações. Eu julgava. E julgava muito. Eu sentia nojo das pessoas simplesmente por olharem para mim. Eu não suportava o jeito que elas conversavam ou caminhavam. Talvez isso tenha se intensificado na adolescência, época sombria de rebeldia que eu atravessei a contragosto.

Mas o tempo me bateu com força. Ele não me ensinou pacificamente, pelo contrário, me espancou até que eu aprendesse a dar valor a algumas coisas.

Uma dessas coisas não era bem uma coisa, mas sim uma pessoa. Uma pessoa que, assim como eu, aprendeu com os erros da vida. Das histórias que ouço sobre ela, de 75 a 80% são atos reprováveis.

Mas, ao final, essa pessoa já não era a mesma. Se arrependeu de tudo de ruim que outrora fizera para outras pessoas, vivia em paz e na solidão.

Eu nunca a odiei, mas não me importava com o que ela falava. Eu não gostava de visitá-la porque sua casa tinha cheiro de cachorro. E, realmente, haviam três cães bem velhinhos dividindo a calmaria de uma casa solitária com a figura.

Sabe, a vida só nos mostra as coisas boas que uma pessoa faz quando ela já não está mais aqui para fazer. Os bons momentos só são lembrados quando sabemos que eles não vão mais existir.

E como eu havia dito antes, o tempo me bateu. E essas feridas aumentam com o passar dos anos, pois eu sei que nunca mais terei a chance que tive de amar o meu avô, que tanto me amou mesmo sendo uma pessoa horrível. Quase nove anos que eu não tenho mais os conselhos do cara mais experiente da vida que eu já conheci. E, puta-que-o-pariu, como eu amava conversar com ele.

A mensagem do dia é essa, meus amigos. O ódio nos causa uma cegueira intensa que não nos permite reconhecer as coisas boas enquanto é tempo. Aproveite os dias e ame.

 

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